Quinta-feira, Maio 18, 2006

Alone and defenceless


Não estou sozinha. Não tenho sequer motivos para sentir o que sinto. A doença corrompe-me. Faz-me pensar de uma maneira negativa. Quero lutar contra ela e não tenho forças.

Estou com a visão ofuscada. Não vejo as coisas como elas são. Não dou valor às acções quando elas acontecem.

Sei que não estou sozinha. Já estive, mas agora não.

Então porque neste momento não consigo valorizar isso? Doença maldita! Não me tapes a visão! Deixa-me ver. Não perder o que tenho de bom por tua causa, esta alegria de viver e de querer viver mais e mais e melhor!

Eu sei que vou vencer. Tenho a certeza disso! E estou a dar o meu melhor para não ir abaixo, para dar valor ao que de mais precioso tenho.

Como uma dança... uma suave dança – com a Lua. A minha vida é assim. Inconstante, linda. Eu sou simplesmente a bailarina. A bailarina com um coração singelo, apesar de tudo. Continua a por-me um sorriso lindo na cara! Eu danço para ti.

Quarta-feira, Maio 17, 2006

You Cannot Hide, Green Dress...

de Lempicka - Girl in Green with Gloves

Uma menina num corpo de mulher, descoberta num simples olhar. Porque as mulheres podem-se esconder atrás de múltiplos artefactos, atrás de artimanhas e de um sorriso. Nunca se pode ser sincera com os sentimentos. Nunca se pode ser verdadeira.

A tristeza, por vezes, é tão grande que se transforma em sorrisos. As mulheres são bichos estranhos. Incompreensíveis. Porque é tão difícil dizer que não? Porque é tão difícil esquecer o passado?

As memórias que nos atormentam, as dúvidas que nos consomem. Ser mulher não é fácil. E não é fácil somente pelas variações de humor. Ser mulher não é fácil pelo simples facto de que somos seres humanos e os sentimentos são confusos, indistintos. Nada é claro na vida. Nem a certeza de que se agimos de determina forma é porque somos do sexo feminino.

Em busca da certeza perdemo-nos sempre pelo caminho e tomamos um outro. E quando a tristeza nos abala, há sempre alguém se que evidencia. Um que nos destroi, outro que nos ajuda.

Uma menina num corpo de mulher...

Se lhe pusessemos uns óculos de sol, bem que podia ser eu, ou eu.

Sim, a viagem mudou-nos muito. Já não somos as mesmas. Menina em corpo de mulher. Menina com olhar de mulher. Menina? Sim, continuo a ser menina. Não a mesma. Não da mesma forma, não com as mesmas convicções. Não com os mesmos objectivos.

Basta abrir os olhos. Basta olhar à volta. Basta olhar. Basta!

Agora não consigo vestir outra pele que não a minha. Não engano ninguém. Quero acabar com os assuntos pendentes. Quero triunfar por mim. Quero crescer numa bela mulher. Quero ser sincera comigo própria. Florir como uma bela pessoa. E quero aprender contigo, quero que me mostres o mundo, quero o teu sorriso e o teu olhar. Porque o meu olhar é sincero, não engana ninguém. Ou será que engana?

Sinto a tua falta. Sinto preocupação. Afinal tenho sentimentos. Estão confusos, indistintos. Agora vejo tudo mais definido, ou estarei a enganar-me a mim própria? Só sei o que vejo agora. E o que vejo é uma menina num corpo de mulher. Não me quero enganar. Mas enganando-me digo que não tenho limites. Eu sou e faço. E vou.

Agarra a minha mão e leva-me no teu caminho. Dá-me o teu olhar, como já me deste. Eu farei tudo para te acompanhar. Porque o teu olhar foi sincero comigo, assim como o meu foi contigo. O que não digo por palavras, digo-o por expressões. Tu percebes, porque também tu és assim.

E de uma coisa podes ter a certeza, já não me escondo mais. Não me escondo mais de ti.

Verde não é definitivamente a minha cor.

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Na certeza que amanhã não sou a mesma

de Lempicka - Androgena


Daqui a nada vou numa viagem sem um possível regresso. Mas talvez até seja bom. Seja o ideal. Não se deve viver preso ao passado, não se pode viver preso a ilusões e nem se pode viver preso a sonhos.

Nesta viagem sem regresso espero encontrar o que sempre procurei e nunca ou raramente encontrei. Duvido que tal seja verdade. Duvido que a viagem me mude e me faça ver o mundo com outros olhos.

Já sou sou a mesma mulher que era ontem. e não sou a mesma mulher que vou ser amanhã. Todos os dias me modifico, e todos os dias me mantenho igual ao que sempre fui. Guerreira, Mulher, Sonhadora, Apaixonada.

Falta-me a força de vontade para lutar contra a Vida. Devemos nós lutar contra a vida? Aí é que está a questão. Eu não acho que a Vida seja motivo de luta. Devemos controlar estrategicamente cada passo que damos. Cada dia que passa me faz ver isso com mais clarividência. O que me parece certo hoje não o era ontem e pode não o ser amanhã.

Então ficamos com o quê? Com a certeza do presente e mais nada? Mas e a lógica? E o aprender com o passado? Não somos todos fruto de experiências passadas e pretenções futuras?

Quero viver, mas não sei que passo tomar.

E o presente é vazio demais para mim.

Vou viajar e talvez não volte.

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

O fim do Mundo

A viagem que eu queria que fosse interminável. Só exijo que se repita, rapidamente, e em primeira classe!

Long journey

de Lempicka


Amanhã estou de viagem. Hope never to come back

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

Amor em tempos de guerra

Porque um sorriso pode fazer milagres... Sim, sou sonhadora!..

Um olhar diferente?

Miro - O Olho Vermelho


O leitor já reparou que tudo é relativo? Nunca temos certeza de nada. Bem, nunca talvez não. Estava a pensar que os cientistas analisam, por exemplo, a água e têm certeza que aquilo é H2O com uns quantos residuos de outras substâncias que eles também as conseguem identificar. Mas na verdade é que nem na ciência há certezas. É-nos ensinado que essa substância líquida é H2O, é-nos ensinado que o ar é composto por X Y e Z.

Não será tudo uma conspiração? Será que não nos ensinam tudo isso para que acabemos por fazer exactamente o que esta identidade quer que façamos? Não serão as nossas vidas completamente conduzidas para que tal aconteça?

Ou será que o destino não existe? Ou será que coincidências não existem?

E os sonhos? Não serão eles próprios sinais disso mesmo?

E os dejà-vu? Pensando no filme Matrix, um dejà-vu pode muito bem ser uma espécie de premonição, mas só no damos conta quando isso acontece. O que pode ser encarado como um erro do sistema, já que há fuga de informação.

Mas se assim é o sistema não é perfeito. Não podemos contar com mais ninguém que não em nós mesmos. E isso é terrivel.

Por outro lado, os dejà-vu podem ser vistos sobre um ponto de vista completamente diferente. Senão vejamos: não podem eles ser encarados como um sinal de que nós próprios somos possuidores de todo o conhecimento necessário à sobrevivência? Ora, se sabemos à partida algo que está a acontecer, da maneira que está a acontecer, no momento exacto que está a acontecer, então não há conhecimento mais perfeito.

Sim, concordo que todos nós somos seres muitos estranhos. E não consigo perceber a lógica da existência de algo superior capaz de dominar todos os seres e o próprio planeta, qualquer que seja o nome que se lhe atribui. E não será isso tudo a natureza? A interação entre átomos e outras particulas que tais, das quais surge uma cadeia irreversível de acontecimentos?

Nada disto tem lógica ou então tudo é lógica! E na lógica, basta perder uma peça ou simplesmente não compreender uma para que todo o comboio descarrilhe.

Acho que foi isso que me aconteceu agora. Perdi uma peça e não me lembro qual era.

Mas que grande PUTA!

E porque depois de uma noite como esta, não podia deixar de expressar isto... Só falta mesmo a passadeira...

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Sol escondido


Pintura de Miro - Dirigido pelas estrelas


Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...


Florbela Espanca - A minha Tragédia

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Beauté et Ténèbres

Gostava que a minha estreia no mundo dos blogs fosse em grande, que além de mostrar a minha posição em relação a estes "trilhos", levantasse uma ponta do meu véu. Mas palavras não me surgem na boca, nem sons me reluzem ao olhar. Ficarei por esta pintura de Dali.

Vocês que se entendam, não tenho que explicar nada.